A forte influência da construção da linha férrea do início da cidade.(Por Severino de Souza Barros – Historiador Maraialense)

Século XIX e Século XX

O imperador do Brasil, Dom Pedro, estava implantando no país uma rede ferroviária que ligasse o território de Norte a Sul, Leste a Oeste. Em Pernambuco a obra ligaria Recife ao sertão do Estado, a Alagoas e Garanhuns, no agreste meridional. No ano de 1870, a Great West, nome da empreiteira inglesa responsável pela construção da ferrovia, já havia chegado a localização de Jaqueira, área pertencente a Água Preta, assim como outros engenhos circunvizinhos. Em 1883, a ferrovia havia avançado e os engenheiros haviam detectado uma montanha de pedra no percurso da linha férrea. Teriam que perfurá-la, ou seja, fazer um túnel. Procuraram um lugar onde houvesse água potável em abundância. Encontraram este lugar e construíram o acampamento. No local havia grande quantidade de uma palmeira espinhosa chamada Marayal. O acampamento dos “cassacos”, como eram chamados os operários, denominou-se “Acampamento Marayal”. Em 1884, foi erguido um banheiro e a perfuração de um poço artesanal para a captação de água potável para o consumo humano. Próximo ao acampamento, na parte baixa, alguns comerciantes instalaram barracões para a comercialização de gêneros alimentícios, roupas, calçados, remédios, etc. Enquanto as obras do túnel continuavam, o povoado crescia. O posto de apoio Marayal, tornou-se uma estação ferroviária para atender a população, agora, da Vila Maraial. A obra do túnel foi concluída em 1884. No século XX, com a emancipação de Palmares do município de Água Preta, Maraial, Jaqueira e Sertãozinho passaram a fazer parte do território palmarense. No dia 11 setembro de 1928, depois de uma luta incessante do Sr. José Luiz da Silveira Barros, Maraial foi emancipada, tendo como distritos: Jaqueira e Sertãozinho. Seu primeiro prefeito eleito, Henrique do Rego Barros, teve uma participação muito importante durante uma enchente ocorrida no município em 1948, que arrasou a cidade. Naquela ocasião, o então governador de Pernambuco, Barbosa Lima Sobrinho, esteve no local da tragédia e decidiu que a cidade teria que mudar de lugar. Fincou a pedra fundamental da “cidade nova”. Mandou construir três pontes de cimento armado, uma delas, ligando a cidade velha para a cidade nova. O Dr. Orlando Correia foi eleito o segundo prefeito de Maraial. Durante seu mandato foram construídas o mercado público, a prefeitura e o Grupo Escolar Fábio da Silveira Barros,. O comércio transferiu-se para a Cidade Nova. Surgiu a Av. Salvador Teixeira, do local onde foi tirado a terra para o aterro da nova cidade, nascendo a Brasília Teimosa. A cidade subiu a montanha e apareceu a Boa Vista. Maraial já estava com o dobro do seu tamanho, haja vista que antes da cidade nova, só existiam a Rua da Estação, do Comércio, Quintino Bocaiúva, Dr. Clovis de Barros e Rua da Areia. Ainda no começo dos Anos  50, foi construída uma barragem que tinha como objetivo conter as águas do Rio Pirangi e produzir energia elétrica para Maraial. No começo dos Anos 60, o Departamento Estadual de Estradas deu início a construção da estrada vicinal que ligaria Maraial a PE 124, estrada esta, que liga Palmares a Garanhuns. Existem registros de uma sub-estação da REFSA em Maraial que teria sido construída no Engenho Florestal, dista do centro a 4 Km.

Outras referências históricas

Em 1884 foi inaugurada a estação. O distrito de Maraial foi criado em 17 de Dezembro de 1904, subordinado ao município de Palmares. Em 14 de Janeiro de 1913, através da Lei Municipal de nº 90, tornou-se uma Vila. Foi elevado à categoria de município em 11 de Setembro de 1928, através da através da Lei Estadual nº 1.931. O seu território fora constituído pelos distritos de Maraial e Jaqueira, este último, atualmente município autônomo, e desmembrados do município de Palmares e da parte do distrito de Barra de Jangada, onde ficam a povoação e a Usina Florestal, desmembradas do município de Quipapá. A mesma lei concedeu foros de cidade à vila de Maraial. O município foi instalado em 1 de janeiro de 1929 e pelo Decreto-Lei Estadual nº 235,
de 09 de dezembro de 1938, Maraial teve seu território acrescido de parte do distrito de Sertãozinho de Baixo, desmembrado do município de Água Preta. A povoação local começou a progredir a partir de 07 de agosto de 1884, quando a estação da Estrada de Ferro Sul de Pernambuco, situada na cidade, foi aberta ao tráfego público, e as primeiras casas começaram a ser erigidas. 
 

Memorial Descritivo da Zona da Mata Sul de Pernambuco, onde está inserido o
município de Maraial, com r
eferências sócio-econômicas do município neste contexto

 

Maraial é um município do Estado de Pernambuco e se destaca por seus fortes traços culturais. Conhecida como Terra dos Compositores e também, Terra da Banana e de ótimo potencial turístico, embora não explorado, o município se destaca pelos seus banhos naturais e de cachoeira, belos casarões dos antigos engenhos na área rural e por um passado de efervescência cultural. O município de Maraial situa-se na Microrregião Mata pernambucana, tem uma área de 196 km² (IBGE, 2007) que apresenta topografia ondulada a fortemente ondulada, com superfícies planas e com predominância de Latossolo Vermelho Amarelo. Está inserido na bacia do Rio Una, tendo como principal afluente, o Rio Pirangi. O clima é quente e úmido, tendo uma temperatura média de 25ºC. A precipitação média é de 1.500 mm e a vegetação original era de mata atlântica (floresta subperenifólia densa), que foi substituída, em sua maior parte e ao longo dos anos, pela a monocultura da cana-de-açúcar, que historicamente causou impactos ambientais tanto pelo fato de ser monocultivo, como também pelas práticas inadequadas utilizadas, com intenso uso de agrotóxicos e queimadas. Por outro lado, o município possui espaços culturais de importância, bem como de grande presença de grupos folclóricos. O diagnóstico elaborado pelo PROMATA (Programa de Desenvolvimento Sustentável da Zona de Mata de Pernambuco), indica que há pouca compreensão da população e do poder público sobre a importância cultural e assim, poucos investimentos públicos para a gestão e educação cultural. Esta realidade teve reflexo direto da monocultura da cana-de-açúcar, que outrora empregava uma grande parcela da população (pelo menos no período da safra), e que vem enfrentando uma grave crise desde a década de 90 e um declínio irreversível de 2012 até a presente data com a crise múltipla e fechamento de várias usinas, dentre as quais a Destilaria São Luiz, em Maraial.   A cana-de-açúcar era quase o único produto que tinha mercado certo e renda assegurada para quem morava nas comunidades rurais e nas periferias da cidade. Ao mesmo tempo, a cana-de-açúcar foi responsável pela concentração de terras e rendas nas “mãos” de usineiros e latifundiários, gerando uma estrutura fundiária muito concentrada: 46% dos estabelecimentos detêm 1,5% da área, enquanto 56% pertencem a apenas 3% das propriedades. Mesmo existindo uma diversificação de cultivos nas propriedades menores, os 71% dos estabelecimentos com lavouras temporárias ocupam uma área de 91% com canaviais. Tudo isso conclui e converge para a triste realidade de uma falta de incentivos estaduais e federais na questão de políticas voltadas para o desenvolvimento e diversificação da cultura, onde inclui-se o tema “música”. 

A agricultura familiar, que representa a parte diversificada da produção agrícola e pecuária de Maraial, além de conviver “sufocada” pelo falido cultivo da cana-de-açúcar, praticamente não tem apoio expressivo de crédito, não tem acesso à assistência técnica e social, tem pouco conhecimentos de tecnologias e sistemas de produção adequadas, não utiliza os recursos naturais de maneira ecologicamente sustentável, tem uma comercialização ineficiente decorrente das precárias condições dos meios existentes para isto (como as feiras livres), que é agravada pelo péssimo estado de conservação da maior parte das estradas vicinais.  A presente proposta tem por objetivo a estruturação dos arranjos apoiados pela Prefeitura Municipal de Maraial, notadamente aqueles cuja necessidade de infra-estrutura, escoamento e trafegabilidade de prováveis frutos deste projeto, ou seja, a prestação de serviços pelos músicos formados, buscando contribuir com aumento na geração de renda das famílias envolvidas e conseqüente desenvolvimento sócio-econômico de Maraial. 

Localização, Limites Territoriais e Acesso

Localiza-se a uma latitude 08º46'57" sul e a uma longitude 35º48'32" oeste, estando ao nível do mar. Sua população estimada em 2004 era de 15.480 habitantes. Limita-se ao Norte com o Município de Jaqueira, ao Sul com o Estado de Alagoas, ao Leste com os municípios de Catende e Xexeu e ao Oeste com São Benedito do Sul. O acesso se dá pela PE-125, PE-126 e BR-101 (via Palmares).